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A pandemia e o fator pessoal de insegurança

Por Marcos Moreno*

É inevitável não falar de COVID – 19 que nos forçou a um período de quarentena, nos trouxe a necessidade da prática do uso de álcool em gel, distanciamento social, uso de máscara, entre outras ações necessárias nos dias atuais; o contexto dessa pandemia infelizmente nos fez voltar nossa atenção e reconhecer as necessidades de se reforçar as medidas preventivas de segurança e saúde no trabalho, tendo em vista a existência de diferentes realidades no ambiente de trabalho com pessoas desenvolvendo suas atividades em home office, escalonamento com alternância hora presencial hora on line; em ambas as situações houve a necessidade de se voltar o olhar para a prevenção, com o desenvolvimento de ações visando minimizar o risco de contágio pelo Coronavírus.

 

Ocorre que essa situação toda de insegurança quanto ao risco de contrair o vírus desencadeou no trabalhador distúrbios mentais devido a enxurrada de informações desencontradas, de notícias na TV com a divulgação de dezenas de centenas de mortos diariamente, a ausência de medicamento para o tratamento, a insegurança quando a manutenção do emprego, a necessidade de se levar alimento para dentro de casa, as contas que não param de chegar e isso tudo desencadeou em cada profissional reações diferentes e em alguns casos de ordem mental que podemos relacionar a causa de alguns acidentes de trabalho, devido ao fator pessoal de insegurança que vem a ser as características psicológicas e mentais em que um indivíduo vivencia no momento, que de uma forma direta repercute em seu trabalho e tem consequências que devem, neste momento, preocupar o departamento de segurança no trabalho dos empreendimentos, seja ele residencial, comercial, misto, clube, enfim, pois a mão de obra está presente em todos os tipos de condomínios.

 

Acidentes podem acontecer a qualquer momento e em todos os tipos de ambiente e atividade, o que inclui o espaço físico de trabalho, além disso, os acidentes de trabalho podem sim estar relacionados a falhas humanas, que aumentaram e muito nesses últimos meses, devido justamente ao fator pessoal de insegurança.

 

Seja no manuseio de um equipamento, uma ferramenta, a inexistência do EPI, relacionamento com os colegas de equipe ou com o líder, o treinamento se faz necessário seja ele para formação, reciclagem ou periódico, pois facilita que o condomínio perceba se dentro da equipe tem algum trabalhador mais propenso justamente aos fatores pessoais de insegurança, podendo assim implementar medidas de proteção para minimizar o risco e se houver necessidade, mudar o trabalhador de turno, alterando sua escala de serviço ou em alguns casos incluí-lo no revezamento, trabalhando hora presencialmente hora em home office. 

Com tudo isso, mais do que nunca o gestor do empreendimento deve levar em consideração a necessidade, neste período, de se implementar ou aperfeiçoar o mapeamento das condições psicológicas e pessoais de cada funcionário, a fim de levantar suas necessidades, pois pode haver questões de características ou dificuldades físicas que o mesmo não apresentava anteriormente, mas que fora desenvolvida com o advento da pandemia, para uma determinada atividade ou para um determinado tipo de serviço que pode acarretar em um acidente ou doença do trabalho.

Por isso, o acompanhamento do desenvolvimento das atividades diárias com a apuração dos resultados, em conjunto com o desenvolvimento e a adoção de novos protocolos de segurança e saúde em tempos de pandemia são fundamentais para minimizar o risco e proporcionar resultados satisfatórios e mais seguros, evitando a ocorrência de acidentes de trabalho, afastamento e possíveis  indenizações, lembrando que se deve ter em mente que a prioridade deve ser a manutenção da saúde e integridade física de todos oferecendo condições de conforto e segurança, de acordo com a NR – 24, atuando no controle do fator pessoal de insegurança.

Autor: Marcos Moreno

Moreno é consultor especialista em condomínios e atua há mais de 26 anos nas áreas de segurança patrimonial, do trabalho, e prevenção e combate a incêndios. Foi coordenador do departamento de terceirização e segurança eletrônica da Itambé Administradora. Ministra cursos e palestras e já falou para mais de 9 mil pessoas. Supervisiona atividades relacionadas à segurança do trabalho e prevenção de incêndios, realiza vistorias técnicas para reconhecimento de riscos e oferece treinamentos para formação de Cipeiro designado, EPI, Mapa de Riscos, Brigada de Incêndio, Primeiros Socorros, revalidação de AVCB, Plano de Emergência, entre outros.